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Agevisa estimula integração das Visas municipais à Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos

A Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa/PB) está empenhada na mobilização das Vigilâncias Sanitárias municipais para levar as ações relacionadas à “Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos” a todas as regiões do Estado. Articulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a semana ocorre no período de 13 a 17 de novembro, tendo por finalidade informar às populações de todo o mundo que o uso indiscriminado de antibióticos contribui para o surgimento de superbactérias que podem provocar doenças contra as quais se torna muito difícil alcançar a cura.

A Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa/PB) está empenhada na mobilização das Vigilâncias Sanitárias municipais para levar as ações relacionadas à “Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos” a todas as regiões do Estado. Articulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a semana ocorre no período de 13 a 17 de novembro, tendo por finalidade informar às populações de todo o mundo que o uso indiscriminado de antibióticos contribui para o surgimento de superbactérias que podem provocar doenças contra as quais se torna muito difícil alcançar a cura.

Com o tema “Procure recomendação de um profissional de saúde qualificado antes de tomar antibióticos”, a Semana Mundial de Uso Consciente dos Antibióticos busca alertar a sociedade para a importância de se buscar a orientação dos profissionais especializados antes de tomar remédios.

Nesse processo, conforme a diretora-geral da Agevisa/PB, Maria Eunice Kehrle dos Guimarães, a Vigilância Sanitária desempenha papel importante, não somente enquanto órgão responsável pelo controle da cadeia dos antibióticos (que engloba desde o registro até o uso do medicamento) e pela avaliação (por meio das inspeções de rotina ou mediante denúncias e solicitações judiciais) das ações de controle da infecção realizadas pelos serviços de saúde, mas também enquanto instrumento dotado de capacidade educativa para influir positivamente no comportamento das pessoas em relação aos cuidados com a saúde, e aí se inclui o consumo responsável e orientado dos antibióticos.

Para o diretor-técnico de Medicamentos, Alimentos, Produtos e Toxicologia da Agevisa, Ailton César dos Santos Vieira, esse tipo de cuidado não só garante que os pacientes tenham o melhor tratamento, mas também os protege de problemas futuros em relação às doenças, pois o uso responsável de antibióticos ajudará a reduzir a ameaça de resistência bacteriana aos mesmos.

O problema do uso indiscriminado de medicamentos, conforme César Vieira, é tão sério que a Organização Mundial de Saúde (OMS) o enquadra entre os grandes desafios globais e enfatiza a necessidade de o mesmo ser enfrentado por todos os países do mundo através da implementação de políticas públicas eficientes que incluam, dentre outras ações, a difusão de informações capazes de promover a conscientização das pessoas para a importância do uso racional e orientado dos antibióticos. Segundo ele, a recomendação da OMS é de que toda a sociedade seja chamada e orientada para o enfrentamento do problema.

Resistência maléfica – “Os antibióticos são medicamentos utilizados para eliminar as bactérias e para tratar doenças provocadas por elas; mas as bactérias têm mecanismos para se defender quando são expostas aos mesmos repetidas vezes e por longos períodos”, explica o diretor de Medicamentos da Agevisa/PB, que é farmacêutico sanitarista e Mestre em Saúde Pública pelo Instituto de Pesquisa Aggeu Magalhães, da Fundação Osvaldo Cruz. Ele acrescenta que a resistência aos antibióticos é uma defesa natural das bactérias e pode ser transferida para outras bactérias no meio-ambiente, e também para as gerações seguintes, com alta capacidade de disseminação.

“Apesar de ocorrer naturalmente, o problema tem se agravado a partir do uso inadequado de antibióticos, tanto na saúde humana quanto dos animais. Por isso, está cada vez mais difícil tratar um crescente número de infecções, e a resistência aos antimicrobianos está sendo considerada uma das maiores preocupações globais em saúde pública”, observa César Vieira.

Segundo ele, o uso consciente de antibióticos deve ser objetivo dos profissionais de saúde, gestores e formuladores de políticas públicas, usuários, pesquisadores etc., sendo importante também o papel dos cidadãos no sentido de evitar a automedicação e a interrupção do tratamento por conta própria, assim como os cuidados de não se descartar os medicamentos diretamente no esgoto doméstico.

Artigo explicativo – Para facilitar o entendimento da sociedade paraibana em relação ao problema que envolve o uso indiscriminado de antibióticos, o diretor-técnico de Medicamentos, Alimentos, Produtos e Toxicologia da Agevisa/PB, Ailton César dos Santos Vieira, produziu e disponibilizou para as Visas municipais, com publicação nas mídias sociais, o artigo intitulado “Resistência antimicrobiana: um desafio global”, que transcrevemos abaixo.

 

Resistência antimicrobiana: um desafio global

Ailton César dos Santos Vieira

Logo_semana_antibioticos (003).jpgOs antibióticos formam uma importante classe de medicamentos que atuam na eliminação ou inibição do crescimento de bactérias, estando o seu uso associado ao combate de inúmeras doenças infecciosas. Assim como os demais produtos farmacêuticos, eles devem ser utilizados com cautela e de acordo com as recomendações dos profissionais de saúde. A inobservância desses cuidados pode causar prejuízos à saúde individual e coletiva, a exemplo da resistência aos antibióticos.

As bactérias têm a capacidade de modificar-se em resposta à exposição a determinado medicamento, tornando a ação deste ineficaz. Ao final desse processo acontece uma seleção: as bactérias sensíveis são eliminadas pela ação da droga, no entanto, aquelas resistentes sobrevivem e se multiplicam, podendo transmitir essa resistência a outros microorganismos circulantes no meio ambiente, bem como para as suas gerações subsequentes. Embora esse seja um fenômeno natural, o uso excessivo e inadequado dos antibióticos tem acelerado o seu crescimento. A esse processo complexo e multifatorial de modificação das bactérias em resposta à ação dos medicamentos denomina-se resistência aos antibióticos ou resistência antimicrobiana.

A resistência aos antibióticos é considerada uma das principais ameaças à saúde global da atualidade devido à extensão da sua ocorrência: pode acometer indivíduos de qualquer faixa etária ou condição socioeconômica, em qualquer lugar do mundo. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica-a como um dos desafios globais à saúde que deve ser enfrentado pelo conjunto dos países signatários, por meio da implementação de políticas públicas eficientes.

Frente a esse quadro surgem alguns questionamentos sobre as causas, consequências e caminhos possíveis para o enfrentamento desse grave problema de saúde global, os quais serão abordados nos tópicos abaixo.

Quais as causas do crescimento?

O uso indiscriminado desses medicamentos por instituições de saúde, pela população e pelo setor agropecuário são as principais causas da resistência aos antibióticos.

No caso das instituições de saúde, sobretudo nos hospitais, é muito intenso o uso de procedimentos invasivos – a exemplo de ventilação mecânica e implantação de cateteres – os quais se constituem como porta para entrada de bactérias presentes no ambiente. Assim sendo, na medida em que cresce o número de infecções associadas a esses procedimentos, também se exacerba o uso dos antibióticos, promovendo a seleção de bactérias resistentes.

Outra questão importante associada à resistência antimicrobiana é o saneamento inadequado do esgoto gerado nos serviços de saúde, muitas vezes descartado sem o tratamento adequado. Esses efluentes, em contato com o ambiente, promovem novamente a seleção de bactérias resistentes que podem contaminar os aquíferos e os alimentos, infectando a população e voltando mais uma vez aos serviços de saúde, completando o ciclo.

Ausência de protocolos para prescrição de antibióticos, falhas nos processos de higienização das mãos e insuficiência qualitativa e quantitativa de laboratórios de microbiologia também são cruciais para o aumento da resistência antimicrobiana relacionada aos serviços de saúde.

Embora numa escala significativamente menor que o uso irracional pelas instituições de saúde, a automedicação também é uma das fontes da resistência aos antibióticos. Conforme já apontamos, a escolha de um antibiótico está associado, dentre outras razões, ao tipo de bactéria que está causando a infecção. Os medicamentos são direcionados a um ou mais agentes etiológicos. Assim sendo, o uso indiscriminado desse tipo de medicamento não só é ineficaz como contribui para a seleção de bactérias cada vez mais resistentes. Quando associamos essa informação com o fato de o Brasil ser o país onde mais se pratica a automedicação na América Latina e o quinto no Mundo, torna-se um quadro preocupante.

O crescimento da resistência aos antibióticos também tem sido exacerbado pelo uso indevido e intensivo de antimicrobianos nos setores agrícola e pecuário. No caso animal esses medicamentos, além de serem utilizados para tratar doenças, também são empregados para preveni-las, e, em muitos países, para promover o crescimento através da administração em massa aos rebanhos. Outros usos comerciais também são verificados na agricultura, na criação de peixes comerciais e no cultivo de frutos do mar.

Quais as consequências?

Decorrente das infecções causadas por microrganismos resistentes inclui-se o aumento da morbidade e mortalidade. Segundo estimativas do Centro para Controle e Prevenção de Doença CDC/EUA, anualmente, pelo menos dois milhões de doenças e 23.000 mortes são causadas por bactérias resistentes aos antibióticos nos Estados Unidos. No Brasil esses dados são escassos.

O fenômeno também é responsável pelo aumento do período de internação, demandando, em muitos casos, o uso de outras tecnologias em saúde – medicamentos, equipamentos e procedimentos. Consequentemente, o crescimento da resistência aos antimicrobianos acarreta aumento nos gastos em saúde. Estima-se que, apenas nos Estados Unidos, o custo com resistência bacteriana está em torno de 4 a 5 bilhões de dólares anualmente11.

Para a OMS, a resistência antimicrobiana, além dos custos diretos, também acarreta perdas econômicas devido à redução da produtividade causada pela doença. E o mais grave dos efeitos é a redução das opções terapêuticas diante de alguns microrganismos causadores de infecção. À medida que os antibióticos vão perdendo a sua eficácia, se tornará cada vez mais restrita e cara a terapêutica, podendo inclusive chegar ao ponto de não haver opções terapêuticas para combater determinados microrganismos.

Quais os caminhos para enfrentar esse problema?

O uso consciente de antibióticos deve ser objetivo dos profissionais de saúde, gestores e formuladores de políticas públicas, usuários, pesquisadores e demais atores envolvidos. Resgatando a máxima – um problema complexo deve ser enfrentando também de forma complexa – ou seja, pela somatória dos esforços coordenados de todos esses segmentos da sociedade.

Embora o setor saúde seja o principal envolvido, é imprescindível que as áreas responsáveis por regular a produção agropecuária também se comprometam a racionalizar os usos para fins comerciais dos antibióticos. Da mesma forma, os órgãos de regulação ambiental têm um papel essencial em normatizar e fiscalizar o descarte e tratamento do esgoto, sobretudo os oriundos das instituições de saúde.

Também convém ressaltar o papel dos cidadãos em evitar a automedicação e a interrupção do tratamento por conta própria, bem como os cuidados de não descartar os medicamentos diretamente no esgoto doméstico.

No que diz respeito aos serviços de saúde – considerados o principal nicho de infecção por microrganismos resistentes, é fundamental ampliar as ações de controle de infecção e os esforços para identificar as bactérias multirresistentes e os seu mecanismo de resistência.

A higienização adequada das mãos, o uso de equipamentos de proteção individual por parte dos profissionais de saúde, atreladas à higienização e desinfecção de todos os equipamentos e ambientes dos serviços de saúde são imprescindíveis no controle da resistência.

A Vigilância Sanitária também exerce um papel decisivo, por meio da avaliação das ações de controle da infecção implementadas pelos serviços de saúde, que acontecem durante as inspeções de rotina ou mediante denúncias e solicitações judiciais. Também compete à Vigilância Sanitária o controle da cadeia dos antibióticos que engloba desde o registro até o uso do medicamento.

A Anvisa é responsável por realizar o registro do medicamento, enquanto as Visas municipais e estaduais são responsáveis pela inspeção e o monitoramento da distribuição e dispensação dos medicamentos. Essas ações coordenadas do SNVS encontram-se descritas no Plano Nacional para a Prevenção e o Controle da Resistência Microbiana nos Serviços de Saúde, no qual estão expostas estratégias de diferentes campos da Vigilância Sanitária, como alimentos, serviços de saúde, laboratórios, entre outros, para mitigar os efeitos da resistência.

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